já não sei onde pertenço …

leio diariamente Português, falo pouco e, quando falo, o vocabulário que utilizo é o básico . começo a ficar preocupada, dou conta que não chega o facto de ler, ler muito. dou conta de que não sou o que era.

por vezes, mesmo em pensamentos, falta-me a palavra certa e tenho de fazer esforço para me lembrar do termo correcto, por vezes até nem me lembro…

e isto prova que o contacto directo com as pessoas certas, mais elevadas, ou mais letradas, nos faz bem. não é falta de humildade, gosto de pessoas humildes, não tem nada a ver com humildade … mas realmente, somos o que nos rodeia, e há pessoas que conseguem tirar o melhor de nós.

quando estou com a pessoa ‘A’, não sou a mesma pessoa que sou com a pessoa ‘B’, eu mudo consoante a pessoa com quem estou a contactar… acho que todos o fazemos, mesmo sem darmos conta.

instintivamente, quero o melhor para mim. os gostos, as preferências de qualquer género ditam as regras, lógico que não gostando, por exemplo, de ouvir Tony Carreira, ou Johnny Holiday e preferindo Jazz, Rock ou mesmo até musica pop, faz com que me afaste, ou junte, a quem tem os mesmos gostos. mencionei o exemplo da musica mas podia ter escolhido o cinema, televisão, literatura, ou até mesmo o saber estar e o tipo de educação, ou hábitos e atitudes…até a pronuncia!

quando vivemos no nosso País, rodeados dos nossos amigos e no nosso mundo, damos-nos conta de que existe gente diferente, mas não nos toca, porque é passageiro…temos contacto, mas não muito, apenas o suficiente, e depressa podemos respirar a essência de que somos feitos e que fomos escolhendo e construindo ao longo da vida.

estando fora do País, isto torna-se quase impossível. a fuga a isto é a solidão, aprendermos a viver com o que temos de melhor… só entende isto quem sai da zona de conforto a que os FDP nos abrigaram .

é bom sair, é bom viver fora, é bom ter novas experiências, mas o facto de tudo isto ter sido feito por obrigação, e  não se poder retornar onde nascemos, ao bom da vida que se tinha, tira o brilho ao que podia ser uma passagem fantástica.

Não sei quando volto , ou até mesmo se volto, e já não sei onde pertenço …sei apenas que me começa a ‘faltar o chão’…até no vocabulário !

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